Sugestões de Atividades para o trabalho em sala de aula
Um dos maiores desafios com o qual a escola se defronta é resolver de forma efetiva uma das principais metas: a de propiciar aos alunos a possibilidade de realizar, com os materiais e os meios disponíveis, algo que ainda não tenha sido feito, ou de fornecer condições para que aquilo que já foi feito seja visto a partir de uma nova perspectiva. É preciso que _ a criação tenha lugar no âmbito escolar.
Como fazer?
Em primeiro lugar, para se saber o que é novo é preciso conhecer profundamente aquilo que já existe. Só então é possível evitar a repetição ou a redescoberta de elementos. Isso requer que a comunidade escolar representem contextos diversificados de aprendizagem, sendo necessário que se estimule e encoraje o próprio prazer de aprender, compreendendo a rica interação entre o novo e o conhecido. Para tanto, é imprescindível que professores ou não, constituam modelos e atuem como colaboradores, na tentativa de reconstruir o passado para transformá-lo.
Nessa tentativa, é preciso indicar como separar o secundário do central, discutir as respostas obtidas, orientar a formulação de novas hipóteses e apontar aquilo que é produção pessoal, diferenciando-a dos já existentes.
Considerações sobre leitura
A exploração de textos diversificados é uma prática pedagógica que proporciona o desenvolvimento da expressividade, do uso funcional da linguagem, da leitura e da reflexão sobre o mundo.
O ato de ler é o processo de “construir significado” a partir do texto. Isso se torna pela interação entre elementos textuais e os conhecimentos do leitor. Quanto maior for a concordância entre eles, maior probabilidade de êxito na leitura.
A interação que se estabelece entre o texto escrito e o leitor é diferente daquela estabelecida entre duas pessoas quando conversam, por exemplo. Nessa última situação, estão presentes muitos aspectos, além das palavras: gesticulação, expressão facial, entonação da voz, repetições, perguntas que dão significado à fala.
Na leitura, o leitor está diante de palavras escritas por um autor que não está presente para completar as informações. Por isso, é natural que forneça ao texto informações enquanto lê. Contudo, o texto também atua sobre os esquemas cognitivos do leitor. Quando alguém lê algo, aplica um determinado esquema, alterando-o ou confirmando-o, ou ainda tornando-o mais claro e exato. Assim, duas pessoas lendo o mesmo texto podem entender mensagens diferentes porque seus esquemas cognitivos, ou seja, as capacidades já internalizadas e o conhecimento de mundo de cada um são diferentes.
Essa aprendizagem natural da leitura deve ser considerada pelo professor e incorporada as suas estratégias de ensino, com o fim de melhorar a qualidade desse processo contínuo iniciado no momento em que o aluno é capaz de captar e atribuir significado às coisas do mundo. (?)
O trabalho de leitura, na escola, tem por objetivo levar o aluno à analise e à compreensão das idéias dos autores e buscar no texto os elementos básicos e os efeitos de sentido. É muito importante que o leitor se envolva, se emocione e adquira uma visão dos vários portadores de mensagem presente na comunidade em que vive.
Resumindo, um trabalho de leitura pode abordar tipos diversificados de textos, enfoques diferentes de interpretação e proporcionar o desenvolvimento de estratégias e habilidades para aprendizagem de leitura. Essas ações ou “Estratégias de leitura” passam, na sua maioria, desapercebidas em nível de consciência. Elas ocorrem simultaneamente, podendo ser mantidas, modificadas e/ou desenvolvidas durante a apropriação do conteúdo.
Estratégias de leitura
Seleção: Ao ler um texto qualquer, a mente seleciona o que interessa do conteúdo. Nem tudo o que está escrito é igualmente útil para a compreensão do texto. Escolha-se alguns aspectos relevantes e ignoram-se outros.
Antecipação: São hipóteses que o leitor levanta, antecipando informações com base nas “pistas” que vai percebendo durante a leitura.
Inferência: São os complementos que o leitor fornece ao texto a partir de seus conhecimentos prévio. É tão frequente o uso dessa estratégia que é comum o leitor não se lembrar se um determinado aspecto estava explícito ou implícito no texto.
Autocontrole: É a atitude permanente do leitor, que consiste em fazer a ponte entre o que ele supõe (seleção, antecipação, inferência) e as respostas que vai obtendo a partir do texto. Trata-se de avaliar as antecipações e inferências, confirmando-as ou refrutando-as com a finalidade de garantir a compreensão.
Autocorreção: Quando as expectativas levantadas pelas estratégias de antecipação não são confirmadas, há um momento de dúvida. O leitor repensa a hipótese anteriormente levantada, constrói outras e retoma as partes anteriores do texto para fazer as devidas correções.
Não esqueçamos que há uma relação dialética entre usar estratégia de leitura e interpretar o texto. Emprega-se uma estratégia porque se está entendendo o texto; entende-se o texto porque as estratégias estão sendo aplicadas.
Sugestões para atividade de leitura: textos musicais e humorísticos
_ Asa Branca (Luiz Gonzaga /n Humberto Teixeira)
_ É! (Gonzaguinha)
_ Inútil (Roger Moreira)
_ Chopis Centis ( Dinho e Julio Rasec)
_ O show musical e humorístico: de João Claudio Moreno (gravado na Romaria de Setembro em Juazeiro do Norte- CE, 2006)
Níveis de linguagem
O trabalho com níveis de linguagem é uma forma de reflexão sobre o uso da língua culta e o da língua coloquial. É importante salientar as diferenças lingüísticas e não os erros gramaticais. A norma culta deve ser trabalhada comparativamente à coloquial, explorar todas as possibilidades de linguagem.
Ortografia e gramática
As atividades de ortografia e gramática aplicadas têm o objetivo de garantir ao aluno uma produção linguística que respeite a norma culta da língua sem prejuízo da espontaneidade de sua expressão oral e escrita. A proposta é vincular as atividades de ortografia e gramática às de compreensão e produção de textos, para que ocorra o uso funcional da língua nas diferentes situações. É importante também realizar a autocorreção, para a formação de um emissor habituado a revisar seus textos.
Interpretação escrita
Inútil
Composição: Roger Moreira
A gente não sabemos
Escolher presidente
A gente não sabemos
Tomar conta da gente
A gente não sabemos
Nem escovar os dente
Tem gringo pensando
Que nóis é indigente...
Inútil!
A gente somos inútil!
Inútil!
A gente somos inútil!
A gente faz carro
E não sabe guiar
A gente faz trilho
E não tem trem prá botar
A gente faz filho
E não consegue criar
A gente pede grana
E não consegue pagar...
Inútil!
A gente somos inútil!
Inútil!
A gente somos inútil!
Inútil!
A gente somos inútil!
Inútil!
A gente somos inútil!
Inútil!
A gente somos inútil!
Inútil!
A gente somos inútil!
A gente faz música
E não consegue gravar
A gente escreve livro
E não consegue publicar
A gente escreve peça
E não consegue encenar
A gente joga bola
E não consegue ganhar...
Inútil!
A gente somos inútil!
Inútil!
A gente somos inútil!
Inútil!
Inútil!
Inútil!
Inú! Inú! Inú...
Exemplo de Interpretação Escrita
- Os alunos poderão utilizar, alternativamente, a 1ª pessoa do plural;
- Os alunos poderão perceber que a linguagem utilizada reforça a crítica contida nos versos;
- Coloquial: além das gírias, utiliza concordâncias verbais e nominais em desacordo com a norma culta;
- Propor aos alunos uma opinião crítica em relação a letra original;
“A gente é...”
A gente não sabe escolher presidente
A gente não sabe tomar conta da gente
A gente não sabe nem escovar os dentes
Tem estrangeiro pensando que nós somo indigentes
Inútil!
A gente é inútil!
A gente faz carro e não sabe guiar
A gente faz trilho e não tem trem para botar
A gente faz filho e não consegue criar
A gente pede empréstimo e não consegue pagar
Inútil!
A gente é inútil!
A gente faz música e não consegue gravar
A gente escreve livro e não consegue publicar
A gente escreve peça e não consegue encenar
A gente joga bola e não consegue ganhar...
Inútil!
A gente é inútil!
Linguagem extra verbal
Objetiva explorar o jogo dramático, que é a representação, através de mímica, de cenas sobre migração; o trabalho (co fotografias ou figuras), vivenciar a musica (cantar, apreciar, compor), encenar (representar cenas, criar situação – problema)
Sugestões para a produção de textos: Orais ou escritos
Os poemas de Patativa do Assaré
_ Aos poetas clássicos
_ Burro
Reescrita
Trata-se de reescrever um texto a partir de outro, conservando o mesmo conteúdo. De um poema, pode-se escrever uma prosa e vice-versa. De uma narrativa, pode-se escrever uma notícia. Do discurso direto, pode-se passar para o indireto e vice-versa.
O que é essencial nessas atividades é a conservação do conteúdo de algo lido, ouvido ou visto numa outra forma apresentada pelo aluno. Como ela não necessita “criar” as idéias, pode se concentrar na forma, ou seja, no modo de organizar por escrito a mensagem. A atividade pode ser individual ou coletiva.
O processo de reescrita envolve, pelo menos, duas etapas. Na primeira, o professor fornece um conteúdo oral, escrito ou não-verbal e o aluno escreve o seu texto. Na segunda, ele faz intervenções de autocorreção e o alunado realiza as devidas modificações.
Reestruturação
É uma variação da codificação com predomínio da reflexão, na reestruturação, o trabalho é coletivo. Toma-se um texto, ainda não codificado e com problemas de segmentação e pontuação, e discute-se com os alunos uma proposta de reestruturação. Não é modificar conteúdo nem trocar palavras ou expressões, é alterar a forma. Modificam-se o vocabulário e a estrutura frasal o suficiente para melhorar a clareza e a coerência do texto.
O texto a ser modificado pode ser escrito na lousa, em transparência ou em papel, desde que se possa apagar, riscar, escrever por cima, rabiscar. É interessante que o texto não seja muito longo para evitar que os alunos se cansem antes de terminar a atividade (pode-se trabalhar com um trecho apenas).
Quando estiver pronto, um aluno copia o texto definitivo. É possível fazer cópias dos dois textos (antes e depois da reestruturação) para que os alunos possam compará-los, colorir onde houver modificação, observar a “silhueta” (diagramação) e discutir sobre a clareza das idéias em cada um deles, a reestrutura possibilita a reflexão sobre a forma, interferindo indiretamente no conteúdo. Além disso, dá ao aluno a oportunidade de se conscientizar da organização, de deixar de trabalhar mecanicamente e de ter domínio técnico sobre a produção do texto.
Sugestões para o trabalho de Análise do discurso / ou análise Linguística
__ Filmes: meu nome é Johnny, Narradores de Javé, Tapete Vermelho
__ Texto: Discurso político __ Zé Leitão (em anexo)
__ Narração: imitação, discurso humorístico
O objetivo dessa análise é explorar o texto em busca dos efeitos que produz no leitor. É tornar consciente que a forma influi na maneira do autor produzi-lo. É analisá-lo como um elemento aberto em que os interlocutores (leitor e autor) são partes constitutivas do discurso e, portanto, ambos vão determinar a escolha do vocabulário, da estrutura, do tipo de apresentação, enfim, das marcas lingüísticas que compõem o texto.
A análise do discurso faz com que leitor e texto se encontrem e se transformem. Desloca-se a análise para um trabalho com as emoções, únicas em cada texto e cada leitor. Assim, há várias possibilidades de leitura, de acordo com a interação leitor-texto.
Na elaboração de questões e/ou atividade fundamentadas na análise do discurso, levam-se em consideração os seguintes processos cognitivos:
a) Antecipação (ou conhecimento prévio) __ O professor deverá levantar a visão de mundo do leitor em relação ao assunto para antecipar o que aparecerá no texto.
b) Transformação __ Solicitar ao aluno soluções diferenciadas para um ou mais fatos do texto, a partir de alguma alteração proposta. O leitor utilizará sua capacidade de transformar acontecimentos de uma maneira lógica.
c) Inferência __ relacionar a visão de mundo e os conhecimentos do aluno.
d) Crítica __ julgar fatos e situações além do senso comum, dar opiniões sobre estruturas e marcas lingüísticas do texto e argumentar sobre a opinião emitida.
e) Efeitos, intenções, emoções __expressar sentimentos provocados por idéias, fatos e superestruturas esquemática do texto, bem como delimitar as marcas lingüísticas que provocam tais sensações.
f) Situação __ problema __ propor soluções a partir de um desafio relacionado a temática.
Exemplo: Resumo do Filme Tapete Vermelho
Matheus Nachtergaele e Gorete Milagres formam um casal de caipiras que levam o filho Neco, de nove anos, para uma cidade a fim de assistir um filme do artista no cinema. Mas os tempos mudaram e os cinemas desapareceram. No caminho o trio cruza com tipos curiosos provando que as lendas da roça ainda estão bem vivas.
Questão: __ “O que você acha de uma família inteira ainda carregar suas raízes, modo de fazer, jeito de se vestir, de se impor em novos tempos?”
Sugestões para o trabalho de atividade de enriquecimento
__ Através de pesquisas de campo __ Feira-livre
O objetivo dessa atividade, poderia se inspirá no método sociológico de registrar, descrever e analisar sistematicamente diferentes falares, elegendo assim, a variação linguística como seu objeto de estudo. Assim se distinguindo a partir de dois pontos.
__ diacrônico (histórico), o pesquisador ou pesquisadores (os alunos), estabelecem ao menos dois momentos sucessivos de uma determinada língua, descrevendo-os e distinguindo-os as variantes em desuso; Sincrônico (mesmo plano temporal), os alunos podem abordar seu objeto a partir de três pontos de vista: geográfico (ou diatópico), social (ou diastrático) e estilístico (contextual ou diafásico).
No momento em que alguém se dispõe a discutir o carácter convencional da linguagem escrita, torna-se necessário, antes de mais nada, refletir professor-aluno sobre a variação linguística como um dos fatores que mais influenciam na apropriação das regras ortográficas.
Reflexão sobre as quatro modalidades especificas de variações linguísticas:
1) Variação histórica __ a língua, no decorrer do tempo, tranforma-se juntamente com a sociedade. As novas gerações procuram novidades, afastando-se dos padrões que regem gerações anteriores, considerando-as ultrapassadas;
2) Variação geográfica __ explica formas que a língua assume nas diferentes regiões em que é falada;
3) Variação social __ indivíduos da mesma sociedade podem apresentar formas de expressão diferentes de outros. Nessa variação, percebe-se intima relação entre linguagem e poder. O nível sócio-econômico, o grau de instrução, a idade e o sexo do individuo são fatores que determinam a formação de grupos distintos de atividade verbal dentro de uma classe;
4) Variação estilística __ acontece quando um mesmo individuo emprega diferentes formas de língua, ou seja, o individuo se molda à situação que está vivenciando, utilizando uma linguagem m,ais ou menos formal.
Num primeiro __ momento __ registrar diferentes falares dos feirantes, através de gravações e/ou anotações; conduzir uma conversa informalmente colhendo ao máximo comportamentos linguísticos de uma ou várias pessoas em diferentes circunstâncias de sua vida, independentemente da classe social ou região a que pertença.
Num segundo __ momento __ uma análise sobre os níveis de linguagem, salientando a forma de reflexão sobre o uso de língua culta e o da língua coloquial, as diferenças lingüísticas e não os erros gramaticais.
Produção escrita
Os alunos deverão ter bagagem e conteúdo suficiente para produzir, por exemplo, um documentário __ O que falamos? Do que falamos?
É extremamente importante que todo professor de língua tenha conhecimento da diversidade linguística no Brasil e como trabalhar com esta diversidade dentro de uma sala de aula.